Insensatez

Quando amo 
salto barreiras


Quando amo
nao vejo os limites


Quando amo
desconheço medos


Quando amo
corro atrás de ti


Quando amo
penso só depois



Escritos do ano 2002
Vanusa Babaçu

Volátil


texto: Vanusa Babaçu
fotos: João Pedro (CFR Coquelandia)






Sou terra ...

Sou a bosta do boi

sou o velho riacho,
correndo em sentido único.

Sou lodo de tuas pedras

poeira que se faz nuvem em tuas estradas de chão batido.

Sou curinga, a palmeira centenária solitária e altiva

Sou pindoba, a nova e insistente palmeirinha!

Sou o pau....sou o machado

E ...

Morro todos os dias

e a cada instante, renasço em ti.













Dedico estes escritos
à aquele que é parte de mim....Roberto Henrique
Vanusa Babaçu 

Nua

Teu olhar negro

despe-me
navalhando sem ressalvas
minha carne.

Impregnando em minha boca,

o inconfundível

 gosto do cigarro vulgar



 foto e texto: Vanusa Babaçu

Sereno

Chove...


numa velocidade
de molhar tão pouco.

Mas é de ti
que sinto saudades.


Pés de Paulista e Babaçu
foto e texto: Vanusa Babaçu
Beira Rio - Jantar alternativo

Domingo

O tempo é de um novembro quente
dia de sol caprichoso
e tu me faz esquecer que segundas-feiras 
existem.

contigo
todos os dias: Domingo
as manhãs
começam as dez.

Omissão das

segundas feiras.

 as horas,

  contam menos de um quarto.

num quarto...

recobro os sentidos


É

segunda feira.





foto: Fogareiro na cozinha da Pepita (Moradora de Ciriaco)
retratista: Vanusa Babaçu
texto: Vanusa Babaçu


Querência

incubência
dormência
querência
estou feita de ti,
farta de ti.
com falta de ti.
sem pudor.
com calor,
com amor
com ardor
sem resitência

sem insistência
eu vou, 
quando chamas
chego, 
quando não chamas.
Minha chama

estou saudades 
feita de ti.

Fundir-se - Deivid Junio

detalhes na minha pegada
são brasas acesas no chão

olha-me na sombra
e toque-me o rosto

às mãos molhadas
lubrifica-me

beijo-te com gosto de aço
na tua face de carne

fundo, derreto
mais nada


Poeta da Cidade de Belo Horizonte
esctritos direto da alma.

http://paralelepipedopoema.blogspot.com/

SINAIS

 Te busquei
pelas avenidas
com tua farta juba
e teu olhar de felino faminto
e belos adereços a te enfeitar
procurei em vão

Não estava lá.

Te busquei

nos jardins das praças, 
investiguei todos os pés passantes
com suas passadas ligeiras ou lentas
não eram teus pés a fazer andanças.


te busquei 
olhando outros olhos
em rostos diversos
Não estava lá



segui todos os vestígios de tuas pegadas
por bares vazios de tua existência


esquadrinhei
lembranças certeiras


E te procurei
onde eu já sabia
com teu corpo esguio,
 teu sorriso largo 
de todos os dentes,
dono de teu tempo

nas veilas estreitas
por becos sujos da vida


tu estavas lá



Texto: Vanusa Babaçu

CEGUEIRA

Hoje,
Teus olhos não me avistaram
uma paisagem de desencanto
instaurou-se 
com tua indiferença
Teus olhos distantes
corroído por uma cegueira desejada
 Vi, minha ausência
não te fezer falta
sem pressa de ser alcançada
 vi teu corpo inerte,
me deixar partir
Te trouxe comigo,
numa imagem de saudade
 imagens de dias de ontem
quando teus olhos me avistavam
com  proximidade 
de varar minha carne
hoje,  tão perto de ontem
Teus olhos
não me avistam mais...

Dor e alívio


Autor: Luziel Costa Carvalho

Eu apaguei as declarações, os depoimentos
e os frutos de minha soberba,
Forcei palavras cujo significado,
não eram carregados nem de verdade, nem de sentimentos...
Saibam que nem sempre todas as pessoas escrevem com o coração,
Lhes falta alma, e saem palavras bonitas suprimidas de sentido,
De que nos adianta escrever sem sentir,
não expor com sinceridade os sentimentos?
Ora, os que temem cada emoção,
deixam de viver com intensidade,
Sentem sede, não convivem com a dor,
cujo tamanho poderá ser maior que o próprio peito.
Sempre resolverem negar o que sentem,
Vão interromper amargamente a vida...
Não querer conviver com as dores ou com as alegrias,
é fazer oposição à felicidade,
é arrancar as chances, de estar vivo e lúcido para o mundo!

Com carinho e estima à Babaçu!