segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

CARNAL


Aquele domingo chuvoso ainda em fevereiro, ontem. antecedido por uma noite daquelas que eu não mais tinha previsto. Eu que adoro madrugadas frias ou quentes, mas preferivelmente nunca só. Convenhamos, minha preferência nem sempre é respeitada, e tenho vivido madrugadas despovoadas, não que elas me façam mal. Fazem parte de um coloquial escolhido por mim, o que não garante que sei escolher o melhor pra minha vidaa. Ah ! essa vida, vidinha mais ou menos, vidinha bosta de burro nem quadrada nem redonda.
Não que eu seja tão seletiva para companhias noturnas, mas quando posso durmo com eles: Os anjinhos, coisa que eu adoro literalmente (bons ou maus), mas que sejam anjos .Sabemos ou só eu mesma sei, anjos tem sempre idades adolescentes (Pelo menos os que eu conheço) . Fazem mais que pensam ou nunca pensam, mas sempre fazem. É esse saber-querer-fazer de anjo que me ocupa uma noite de horas menores, sim se passam tão rápidas! Nos últimos dias, tenho mais sonhado que dormido com anjos. Felizmente sonhar está longe de meu controle.
No menu de anjos existe uma variação Incluem-se aqueles anjos duendes, peraltas, ainda os artistas cheios dos truques. Desse modo, me chega um anjo,(conhecido de outros carnavais) de carne e osso e recheia minha noite de sabores, cheiros e cores. Humm, sem me deixar esquecer que amanhã é domingo. Decido não perder tempo dormindo, tanto pra se fazer e apreciar, o sono esse já se faz companheiro por noites e noites, espanto-o com cautela, que me volte, mas volte amanhã. Deixe-me cá, a admirar incansavelmente aquela face desenhada, lapidada, elaborada e perturbadora. Sim certamente fora feito com essa má intenção. Os anjos dormem é verdade posso certamente comprovar essa tese, haja vista, que aquele anjo dormiu ali de lado aquecido em temperatura ambiente de minha costela.
Devo aqui mencionar, que outras vezes esse mesmo anjo, povoou as minhas noites, madrugada e matinas, deixando indícios nos cheiros que impregnaram os lençóis de minha cama.  No entanto, nada sei do tempo ou de outras possibilidades, assim como da primeira vez, ou como se já fosse a última apreciei sem medo de pecados ou culpas aquela paisagem carnal, sublime, e angelical. Usando apenas o recurso de minha memória fotográfica, sim só consenti à minha memória aquele registro.  As deliciosas horas que arquitetaram aquela madrugada, que antecedeu meu domingo chuvoso, de fevereiro.
    TEXTO: Vanusa Babaçu

    Um comentário:

    Maria Francisca disse...

    Baba,

    É muito lindo tudo que tu escreve, mas sempre tem um toque de dor?

    Vamos correr a estrada do arroz, lá também t cheim de anjo... Tem anjo lá do jeito que o diabo gosta!

    beijos com azeite