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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Despedida - Vanusa Babaçu





Desaparece 
Sorrateiro


Silencioso


Utiliza-se do corredor comprido


Arrasta-se no seu tempo


No seu passo excêntrico


Lento, leve, livre


Levando-me


Deixando-me
Hoje... 
será para sempre?



terça-feira, 20 de abril de 2010

Descontinuidade - Vanusa Babaçu

Nem sei mais que dia é domingo
Uma aura de pouco peso
Emerge de um sopro de boca
Removendo cinzas de brasas dormentes
Revira o tempo,
Revira a mente,
Reviravolta,
Retorno,
Reverso.
Ajuízo...
O tempo me assinala!
Pondero!
Deixe-me cá, como preteritamente,
Permanecerei ao Léo.
Consintamos que as brasas permaneçam tropêgas!
E em ato contínuo tornem-se cinzas, poeiras ao vento!
E que aragem das estações quentes
Nos acorde unicamente
para arquitetar nossas reminiscências. 
Para o momento, 
perdi a chave da velha porta.


quinta-feira, 15 de abril de 2010

Modo Silencioso - Vanusa Babaçu



O telefone chama. E és tu.
Só pra saber se estou bem.
Sim.
Estou bem.
E agora, sem ti.
Mas como?
Se isso um dia foi tão impossível?
Não sei explicar, caso necessário fosse.
Quantas vezes e sem hora marcada 
tuas risadas fonadas cortejavam
 Meu dia,
Minha noite,
Minha madrugada.
Antecipando-nos da alegria

previsível no nosso encontro carnal.
Tua voz em tom deleitável e inequívoca 
Ainda  é a mesma que encantava o meu ente por completo
E emudecia minha fala.

Diálogos intermináveis 
dificultando o complexo desligar.

Todos os créditos promocionais eram insuficientes.
E hoje o telefone chama: e és tu...
Que indagas “As novidades?”
Mas. ja não existem, não há novidades a serem  ditas,
O novo já se fez velho.

Eu sempre respondi afirmativamente
Essa questão!

Temos boas novas!!!
"aumentou o meu amor por ti"
Tu perguntavas pra ouvir o obvío
e proferir o esperado
"IDEM"
Oh! Céus!
Não sei o que dizer agora.
O amor findou-se?
Não sei, ou não quero talvez.
Esse tempo, que nos faz mutável,
Com janelas abertas pra outras entradas ou saídas
Eu estou bem, e agora sem ti.
Mas como?
Talvez seja melhor que retrocedas, 

e surpreenda-me em segredo e silencioso
Como emprendias antes, 
munido de desejos,
E sem temer reclamação de minha parte.

venha...
E preenchas minha boca com teus beijos,
E nosso chão se fará, novamente cama  
Ou nos utilizaremos das velhas paredes 
descascadas e pintadas de azul
Testemunhas e cúmplices de nossos desvarios.
Paratanto,
No evento de tua chegada
Se o telefone tocar,
Estará evidentemente no modo silencioso.
Deste modo, 

minhas quintas feiras 
como em tempos preterítos serão todas tuas.


terça-feira, 13 de abril de 2010

Promessa - Vanusa Babaçu



Eu te prometo
acordar dessa noite infinita
que se fez em mim desde tua chegada
invasiva e permitida por mim.
Prometo ainda,
tratar de inspirar-me em outros motes
beijar em outras bocas,
e gozar com outros sexos.
Porém, tudo é maior do que eu
tudo perde o sentido se em ti não penso.
Corro o mundo, e meu carro está sem freio.
As ruas, vielas ou becos percorridos
 sempre alcançam tua morada
te alcanço, e te canso.
E tu, chega e permanece
e eu, te abraço.
E deslembro...
todas as palavras antes escritas.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Rascunho - Vanusa Babaçu


 

texto: Vanusa Babaçu 
Gravura especilamente cedida do
  acervo pessoal de: CairoMorais 



Teus rascunhos
me desenham e me desnudam
E me aproxima cada vez mais de ti.
Ouso IR embora todos os dias
E antes mesmo que tu sintas falta, volto
Aspirando ficar para sempre,
Sem passado e sem futuro.
Sou gravura de um momento presente
Sem partida e sem chegada
Teus riscos nunca levianos
Esboçado em grafites ou chocolates
Tem a força de assinalar profundamente 
O papel cândido...
que sou eu.

domingo, 4 de abril de 2010

Mãos putas


Com ternura, afeto, e açucar
para CairoMorais
Outono 2010
texto: Vanusa Babaçu 







Nunca mais me acometi de sossego
foi-se o tempo que eu sabia quem era eu.
Todos os cheiros são tu
todos os dedos são teus
tuas mãos putas
tua boca de forno
 meus gritos chamam teu nome
que agora escrevo nas paredes
com meu giz de cera azul.
 Tua língua vadiou por minha boca,
salivando minha alma...
Separando involuntariamente 
corpo do espírito.
Numa noite sabatina de outono
e quando as portas se abrirem?
Leve-me contigo na tua algibeira.








sábado, 2 de janeiro de 2010

Janeiro-cinza - Vanusa Babaçu

Café
Chocolates
horas longas
tempo noite
janeiro-cinza

cantigas de chuva
cobertores

telhados brancos
quatro cantos
cores de azuis 
fotografias
espaços

corpo revela falta
um lado da cama
vazio
um lado de mim
solidão.


Janeiro-cinza, 2010

Lua de meio dia - Vanusa Babaçu