O telefone chama. E és tu.
Só pra saber se estou bem.
Sim.
Estou bem.
E agora, sem ti.
Mas como?
Se isso um dia foi tão impossível?
Não sei explicar, caso necessário fosse.
Quantas vezes e sem hora marcada
tuas risadas fonadas cortejavam
Meu dia,
Minha noite,
Minha madrugada.
Antecipando-nos da alegria previsível no nosso encontro carnal.
Tua voz em tom deleitável e inequívoca
Ainda é a mesma que encantava o meu ente por completo
E emudecia minha fala. Diálogos intermináveis
dificultando o complexo desligar. Todos os créditos promocionais eram insuficientes.
E hoje o telefone chama: e és tu...
Que indagas “As novidades?”
Mas. ja não existem, não há novidades a serem ditas,
O novo já se fez velho. Eu sempre respondi afirmativamente
Essa questão! Temos boas novas!!!
"aumentou o meu amor por ti"
Tu perguntavas pra ouvir o obvío
e proferir o esperado
"IDEM"
Oh! Céus!
Não sei o que dizer agora.
O amor findou-se?
Não sei, ou não quero talvez.
Esse tempo, que nos faz mutável,
Com janelas abertas pra outras entradas ou saídas
Eu estou bem, e agora sem ti.
Mas como?
Talvez seja melhor que retrocedas, e surpreenda-me em segredo e silencioso Como emprendias antes, munido de desejos,
E sem temer reclamação de minha parte. venha...
E preenchas minha boca com teus beijos,
E nosso chão se fará, novamente cama
Ou nos utilizaremos das velhas paredes descascadas e pintadas de azul
Testemunhas e cúmplices de nossos desvarios. Paratanto,
No evento de tua chegada
Se o telefone tocar,
Estará evidentemente no modo silencioso.
Deste modo, minhas quintas feiras como em tempos preterítos serão todas tuas.
Eu te prometo
acordar dessa noite infinita
que se fez em mim desde tua chegada
invasiva e permitida por mim.
Prometo ainda,
tratar de inspirar-me em outros motes
beijar em outras bocas,
e gozar com outros sexos.
Porém, tudo é maior do que eu
tudo perde o sentido se em ti não penso.
Corro o mundo, e meu carro está sem freio.
As ruas, vielas ou becos percorridos
sempre alcançam tua morada
te alcanço, e te canso.
E tu, chega e permanece
e eu, te abraço.
E deslembro...
Nunca mais me acometi de sossego foi-se o tempo que eu sabia quem era eu. Todos os cheiros sãotu todos os dedos são teus tuas mãos putas tua boca de forno meusgritos chamam teu nome que agora escrevo nas paredes com meugiz de cera azul. Tua língua vadiou por minha boca, salivando minha alma... Separando involuntariamente corpo do espírito. Numa noite sabatina de outono e quando as portas se abrirem? Leve-me contigo na tua algibeira.