quinta-feira, 15 de abril de 2010

Modo Silencioso - Vanusa Babaçu



O telefone chama. E és tu.
Só pra saber se estou bem.
Sim.
Estou bem.
E agora, sem ti.
Mas como?
Se isso um dia foi tão impossível?
Não sei explicar, caso necessário fosse.
Quantas vezes e sem hora marcada 
tuas risadas fonadas cortejavam
 Meu dia,
Minha noite,
Minha madrugada.
Antecipando-nos da alegria

previsível no nosso encontro carnal.
Tua voz em tom deleitável e inequívoca 
Ainda  é a mesma que encantava o meu ente por completo
E emudecia minha fala.

Diálogos intermináveis 
dificultando o complexo desligar.

Todos os créditos promocionais eram insuficientes.
E hoje o telefone chama: e és tu...
Que indagas “As novidades?”
Mas. ja não existem, não há novidades a serem  ditas,
O novo já se fez velho.

Eu sempre respondi afirmativamente
Essa questão!

Temos boas novas!!!
"aumentou o meu amor por ti"
Tu perguntavas pra ouvir o obvío
e proferir o esperado
"IDEM"
Oh! Céus!
Não sei o que dizer agora.
O amor findou-se?
Não sei, ou não quero talvez.
Esse tempo, que nos faz mutável,
Com janelas abertas pra outras entradas ou saídas
Eu estou bem, e agora sem ti.
Mas como?
Talvez seja melhor que retrocedas, 

e surpreenda-me em segredo e silencioso
Como emprendias antes, 
munido de desejos,
E sem temer reclamação de minha parte.

venha...
E preenchas minha boca com teus beijos,
E nosso chão se fará, novamente cama  
Ou nos utilizaremos das velhas paredes 
descascadas e pintadas de azul
Testemunhas e cúmplices de nossos desvarios.
Paratanto,
No evento de tua chegada
Se o telefone tocar,
Estará evidentemente no modo silencioso.
Deste modo, 

minhas quintas feiras 
como em tempos preterítos serão todas tuas.


2 comentários:

Deane disse...

Amei, perfeito. Nem preciso perguntar se é seu mesmo né?.. rs
Inspirada como sempre!

Vanusa Babaçu disse...

è de minha autoria sim , minha linda... e conta somente um momento vivido por mim nos ultimos dias.



abraços