segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

absolvição

Essa tua pouca conversa de quem leu três livros enquanto eu experimentava bocas conhecidas. Essa só tua paciência lenta de cozinhar pedra e ainda me esperar na esquina com olhar comprido, braços abertos, lenço na mão, sem dizer eu sabia. Improvisa o meu retorno, meu chegar, que se faz do meu saber que quero permanência em ti, por tempo indeterminado. Absolva-me, abraça-me, aqueça-me ou deixe-me sem lenço e com os documentos perdidos em feira de domingo. Se eu chorar agora é por ti, pelo teu ficar, pelo teu querer a mim, desmerecido pelo meu dolo. Mas, se ainda assim ficares eu te prometo  campear contigo entre ceu e mar, e dias de chuvas aquecidos.

2 comentários:

vaguinho disse...

A escrita é uma arte que atinje limites que outras não conseguem moldar as letras de modo a construir formas abstratas É encantador.
Nada mais natural que essa exprosão de sentimentos... Caloroso abraço poético em tua alma!
Linda quarta-feira, plena de inspiração!
Vagner Dias...

Leonardo B. disse...

Por minha grande falta de jeito, mas com o desejo de também partilhar o espírito desta quadra, partilho de Vitorino Nemésio, um outro Natal,

«Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.»

Com um sincero desejo de uma quadra plena,
Um imenso abraço,

Leonardo B.