quinta-feira, 6 de maio de 2010

Andirobal










"Só na foz do rio é que se ouvem
os murmurios de todas as fontes"
Guimarães Rosa

"Pensar na pessoa que se ama,
é como ficar à beira da água
esperando que o riacho, alguma hora
esbarre de correr"

Guimarães Rosa


Foto Riacho Andirobal
Resex Ciriaco- Cidelandia, MA.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Crepúsculo - Vanusa Babaçu

Eu  ouso  querer

desenhar-te em versos
 
e ser necessária

para um retorno breve

degustar contigo um cardápio

de letras musicadas...

 despedir-me

com aquele beijo-sorriso

certa de que o amanhã

pertence a nós.

Enquanto isso...
A tarde deita-se passiva

para a chegada de outro

anoitecer de outono.


Para Bebel, Minha amada!

Fissura - José Luis Costa

Será difícil esquecer
seu molejo,
o charme que se transformou
em desejo.
A fissura
carnal que se
inicia num beijo.
Quando lhe terei
de novo só para mim?
Quando deitarei
de novo no seu colo?
São perguntas que
me traem no
dia-a-dia distante,
ou respostas vazias
trazidas por beija-flores
das flores da praça.
A minha tristeza
está na partida para
longe dos beijos seus
que não tive.

domingo, 2 de maio de 2010

Desnecessárias explicações - Vanusa Babaçu

O poema grita
e ensurdeçe-me
eu corro.
E
volto
sorrateira
silenciosa
ele está lá e cá
me espera
me encurrala
o que faço?
Digito!
Deleto.
O poema volta
permanece
sorrateiro
silencioso
desisto,
escrevo,
deleito-me
publique- se!

Comentário Poético - Iron Vasconcelos





escreva
corra
e grite
escreva linhas saudosas
corra saudosista
grita o poema
saudoso de ser babaçu
de ser você




Comentário poético de Iron Vasconcelos.
Meu querido palhaço da vida

Saudoso Poema - Vanusa Babaçu


Meu amor menino
Que embeleza segundos
Num assopro colorido
Como as bolhas de sabão
Meu amor menino
Que embeleza meu céu
Num puxa e solta, frenético
Como as pipas exibidas no verão
Meu amor menino
Que corre  mundo 
com pés amparados 
Em belas sandálias de couro cru
Ou descalço pelas
Ruas da vida
E me deixa só.


 Com contribuições de outro menino:
que alegra vida com sorrisos vadios
e nariz vermelho.
Iron Vasconcelos




sexta-feira, 30 de abril de 2010

Mercado Central


Velho mercado
O café é servido
inicialmente às seis
como dantes.
Velho mercado
Rostos marcados
conversas de ontem
e tu?
Ainda permanecendo
em terras de 
Amar Antes?
E depois
o que faremos
de nossas poeiras?

Quebra-molas - Vanusa Babaçu


Manhã fria a custas de central de ar ativada no grau 17. Corre tudo bem, sem alteração na nova rotina, agora composta por nosso querer. O cheiro na memória alterado pelo sabonete de pequi. Volto pra ti, por hoje saber que de ti nunca me afastei. Tu ficaste na gaveta que eu, invadida por um novo querer abri e faço o resgate histórico pra esse novo momento nosso. Sim, entre! Entrego-me novamente a teus velhos e quase invisíveis cuidados. Suficientes para os dias de feiras. Nosso calendário sem domingos. Quero estar presente em terras de índios, que somos. De quantos quilômetros serão feito nossos destinos? 



terça-feira, 27 de abril de 2010

categorias - Vanusa Babaçu


Faz-se necessário regar todas as plantas de meu jardim de pequenos jarros, de encontro a esse ritual das iniciais horas da matina, como em épocas promocionais aproveito para refrescar minha alma, já quase cansada na terceira idade da minha santa paciência. Se eu fechar as portas e também janelas será sem dúvida de meu coração, que ainda te cabe dentro. Acordo inteira e com sede de um copo de beijos de benevolência. Quase fraterno.  Ou me sinto pronta para aquele beijo fatal dos aprimores amantes. Abraço-te nas duas categorias.  Que seja, mas que seja com brevidade.

sábado, 24 de abril de 2010

Depois - Vanusa Babaçu

Meu coração não comporta todo o exílio de ti
Demasiado sem freio desata todos os liames
Eu, sem saída.
Historio, transcrevo,comento.
Leio, releio trechos conhecidos.
Fecho os olhos.
Encadeio as portas e tu voltas terra-a-terra
Expande-se pelas minúsculas frestas
Eu desarmada
Apresento-te minha radiografia transparente
Dou-te esse punhado de amor
Feito de letras convertidas em palavras,
Imprescindíveis ou não.
Qual deixo para que leias

quando ocorrer minha estação de afastamento.
Tu serás senhor de um tempo posterior.
 

RECICLAGEM - vANUSA bABAÇU

Por tuas mãos ateio o céu


E roubo estrelas amarelas


Tudo está escrito


Em papel renovável


Marcado com tuas digitais


Eu cego, sigo caminho seguro 


Paralelos caminhos


O chão agora palmilhado


Por nossos rastros


Deixam para trás


Saudades de amores triviais


Que encheram nossos dias


E por tuas mãos


Guio-me


E roubo a lua em quarto crescente


E te presenteio com beijos baratos


Ternamente vulgar


Arremato meu sexo com teus dedos


E tuas mãos


Conduzem-me para horas de pecados novos.


Por tuas mãos...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Pequeno Príncipe




 Nos últimos cincos dias
recebi religiosamente
fragmentos lindos
do livro "Pequeno Príncipe"
  Logo nas primeiras horas do dia
todas me chegaram anônimas
confesso que,
demorei um pouco pra saber
o autor da empreitada
agora já sei!! 
Gostei de tudo: 
da iniciativa
do carinho
dos fragmentos
Resolvi ler o livro 
e decidi entender o recado.
de todos os fragmentos
 adorei particularmente esses:














 Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer
pensaria que se parece convosco.
Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, 
pois foi a ela que eu reguei. 
Foi a ela que pus a redoma. 
Foi a ela que abriguei com o para-vento. 
Foi dela que eu matei as larvas. 
Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se,
ou mesmo calar-se algumas vezes.
É a minha rosa."





quando olhares o céu de noite,
(porque habitarei uma delas e estarei rindo),
então será como se todas as estrelas te rissem!
 E tu terás estrelas que sabem sorrir!
Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido.


Se tu vens, por exemplo,
às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.
Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz.
Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado:
descobrirei o preço da felicidade!
Mas se tu vens a qualquer momento,
nunca saberei a hora de preparar o coração... "





quarta-feira, 21 de abril de 2010

alquimista - Vanusa Babaçu

Nem um verso meu escrito a fios de ouro
Mas apresenta-se a ti
Despudorado, sem nem um medo
E historia sobre, nós
Sobre as estações do tempo
Os períodos lunares
Que nos encantam e nos renovam
Preparam-nos todos os novos motes
improvisado de dores antigas
Nem um verso digno de teus fios de ouro
Porém versos teus.


com os cheiros do alcreim,
para Cairo Morais
Primeira hora de lua crescente

terça-feira, 20 de abril de 2010

Descontinuidade - Vanusa Babaçu

Nem sei mais que dia é domingo
Uma aura de pouco peso
Emerge de um sopro de boca
Removendo cinzas de brasas dormentes
Revira o tempo,
Revira a mente,
Reviravolta,
Retorno,
Reverso.
Ajuízo...
O tempo me assinala!
Pondero!
Deixe-me cá, como preteritamente,
Permanecerei ao Léo.
Consintamos que as brasas permaneçam tropêgas!
E em ato contínuo tornem-se cinzas, poeiras ao vento!
E que aragem das estações quentes
Nos acorde unicamente
para arquitetar nossas reminiscências
Para o momento, 
perdi a chave da velha porta.


quinta-feira, 15 de abril de 2010

Modo Silencioso - Vanusa Babaçu



O telefone chama. E és tu.
Só pra saber se estou bem.
Sim.
Estou bem.
E agora, sem ti.
Mas como?
Se isso um dia foi tão impossível?
Não sei explicar, caso necessário fosse.
Quantas vezes e sem hora marcada 
tuas risadas fonadas cortejavam
 Meu dia,
Minha noite,
Minha madrugada.
Antecipando-nos da alegria

previsível no nosso encontro carnal.
Tua voz em tom deleitável e inequívoca 
Ainda  é a mesma que encantava o meu ente por completo
E emudecia minha fala.

Diálogos intermináveis 
dificultando o complexo desligar.

Todos os créditos promocionais eram insuficientes.
E hoje o telefone chama: e és tu...
Que indagas “As novidades?”
Mas. ja não existem, não há novidades a serem  ditas,
O novo já se fez velho.

Eu sempre respondi afirmativamente
Essa questão!

Temos boas novas!!!
"aumentou o meu amor por ti"
Tu perguntavas pra ouvir o obvío
e proferir o esperado
"IDEM"
Oh! Céus!
Não sei o que dizer agora.
O amor findou-se?
Não sei, ou não quero talvez.
Esse tempo, que nos faz mutável,
Com janelas abertas pra outras entradas ou saídas
Eu estou bem, e agora sem ti.
Mas como?
Talvez seja melhor que retrocedas, 

e surpreenda-me em segredo e silencioso
Como emprendias antes, 
munido de desejos,
E sem temer reclamação de minha parte.

venha...
E preenchas minha boca com teus beijos,
E nosso chão se fará, novamente cama  
Ou nos utilizaremos das velhas paredes 
descascadas e pintadas de azul
Testemunhas e cúmplices de nossos desvarios.
Paratanto,
No evento de tua chegada
Se o telefone tocar,
Estará evidentemente no modo silencioso.
Deste modo, 

minhas quintas feiras 
como em tempos preterítos serão todas tuas.